INFORME MÉDICO


Exame Citopatológico de Colo Uterino


ADEQUAÇÃO DA AMOSTRA

O exame citopatológico originalmente desenvolvido por George N. Papanicolaou há cerca de 60 anos tem sofrido constantes adaptações ao longo do tempo com objetivo de melhorar sua acurácia e a comunicação dos resultados. (1).
Os programas de rastreamento do câncer do colo uterino destinam-se a detectar alterações citológicas de lesões precursoras do carcinoma de colo no maior números possível de mulheres assintomáticas (1). Esta estratégia é reconhecida mundialmente e em países desenvolvidos reduziu em 90% as taxas de carcinoma invasivo do colo uterino(2). A literatura demonstra que a sensibilidade do método varia entre 30 e 87% e a especificidade entre 86 e 100%.
Em 1989, em Bethesda, EUA, iniciou-se um processo de discussão do exame citopatológico de colo uterino visando uniformizar a nomenclatura bem como discutir a adequação das amostras submetidas ao método. Desde então, tem sido realizados encontros, para avaliações científicas e estatísticas, a fim de padronizar critérios de nomenclatura e adequação da amostra.

CRITÉRIOS DE QUALIDADE DA AMOSTRA

1) Aceitabilidade da amostra: a amostra que não estiver adequadamente identificada (erro ou ausência de identificação) ou ainda danificada durante o transporte deve ser rejeitada para o exame laboratorial sendo emitido laudo descrevendo tal situação.(2)

2) Avaliação da adequação da amostra: a amostra, uma vez recebida, corada e examinada pelo laboratório será considerada insatisfatória quando acelular ou hipocelular (menos de 10% do esfregaço ocupado por células), se a leitura for prejudicada por excesso de piócitos, hemácias, artefatos de dessecamento, contaminantes externos ou intensa sobreposição celular (acima de 75% do esfregaço) (1,2). Nestas situações a paciente deverá ser encaminhada para recoleta.

3) A amostra é considerada satisfatória quando apresentar celularidade adequada (10.000 a 12.000 células por esfregaço), com células bem distribuídas, fixadas e coradas de maneira que permita a boa interpretação do caso. A representatividade ou não dos epitélios escamoso, glandular e metaplásico é informação obrigatória no laudo citopatológico, mas deixam de pertencer à esfera de responsabilidade dos profissionais que a interpretam(2).A presença de células glandulares endocervicais e metaplásicas indica que a amostra foi tomada da junção escamo-colunar , local onde se situam a quase totalidade das lesões de colo uterino que o exame citopatológico objetiva detectar. Considerando amostras onde as células representativas da JEC estão ausentes, a amostra pode ser considerada adequada pelo médico solicitante uma vez que este é conhecedor de todas as informações clínicas referentes ao caso. Nestas situações é consenso que o exame deve ser repetido se a paciente pertencer a grupo de risco para câncer de colo de útero (1). São considerados fatores de risco multiplicidade de parceiros sexuais, início precoce da atividade sexual, alta paridade, imunossupressão, imundeficiência e infecção pelo vírus do papiloma humano (2)

COMUNICAÇÃO DOS ACHADOS CITOPATOLÓGICOS

O Sistema de Bethesda cunhou uma série de novos termos em citopatologia cérvico-vaginal como as atipias em células escamosas de significado indeterminado ( ASC-US), lesões escamosas intra-epiteliais de baixo e alto grau ( LEIBG e LEIAG ), bem como outros resultados como as diversas formas de atipias em células glandulares endocervicais, sendo mantido o carcinoma invasor e recentemente reabilitados os resultados de carcinoma microinvasor e de adenocarcinoma ¿in situ¿. Diante destas possibilidades de resultados e das condutas que devem ser tomadas a partir deles,torna-se imperativo uma boa comunicação entre laboratório e médico assistente. Tal relação envolve muitas vezes discussão e revisão de casos, cujo laboratório deve estar preparado para realizar através de um sistema de arquivamento de lâminas adequado, conforme as regras do Ministério da Saúde(2). Além disso o laboratório deve manter sua equipe de citopatologistas em constante atualização através de programas de controle de qualidade, tanto internos como externos.

PERIODICIDADE

Por muitos anos houve recomendação de ¿screening¿ anual para mulheres a partir dos 18 anos. Atualmente várias estratégias tem sido desenvolvidas, a American Academy of Family Physicians coloca a realização do citopatológico a cada 3 anos, a partir do início das relações sexuais. O National Institute of Health (NIH), EUA, recomenda a realização anual nos dois primeiros anos e, após, a cada um ou três anos, de acordo com fatores de risco. O Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional do Câncer, preconiza que o exame citopatológico deve ser realizado uma vez ao ano. Após dois exames anuais negativos,realizá-lo a cada três anos, baseado no fato de que o câncer de colo uterino se inicia a partir de uma lesão pré-invasiva, curável em 100% dos casos, que progride lentamente, por anos, antes de atingir o estado invasor da doença.(2) Segundo a OMS,estudos quantitativos demonstram que a expectativa de redução do percentual no risco cumulativo de desenvolver câncer de colo uterino , a partir de um exame negativo , é praticamente o mesmo , quando o exame é realizado anualmente (redução de 93% do risco) ou a cada três anos(redução de 91% do risco).(2)

Referências

1.Consensus in Medicine Cervical Câncer Screening:the Pap Smear. British Medical Journal.1980; vol.281: 1264-1266
2.Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais e Condutas Preconizadas. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Ministério da Saúde.2 ed.RJ.2006


 
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