CITOPATOLOGIA CÉRVICO-VAGINAL

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O QUE É O EXAME CITOPATOLÓGICO DE COLO UTERINO?

O exame citopatológico do colo uterino também conhecido como exame ou teste de Papanicolaou destina-se ao rastreio do câncer do colo uterino, mas principalmente de lesões precursoras deste câncer. Em outras palavras, o exame objetiva a identificação daquelas lesões que ainda não são câncer, mas se deixadas evoluir culminarão em uma lesão com capacidade de invadir não só o colo uterino, mas órgão próximos e também estruturas distantes (metástases). Ressalta-se que este exame existe desde meados do século XX e contribuiu de forma dramática para a redução da mortalidade por câncer do colo do útero em várias partes do mundo. Outro aspecto importante a ser lembrado é que o teste de Papanicolaou destina-se exclusivamente ao rastreio de lesões do colo do útero não sendo usado para detecção de outras neoplasias ginecológicas como o câncer do endométrio (revestimento interno do útero) ou câncer de ovário.

A redução importantíssima da mortalidade por câncer de colo com o uso do teste de Papanicolaou não impede o acontecimento de eventuais casos de lesões avançadas do colo uterino com exames citopatológicos prévios negativos. Por que isso acontece? É uma situação delicada e um tanto complexa, pois envolve fatores relacionados principalmente à qualidade da amostra examinada. O rigor na observação da qualidade da amostra aumenta a sensibilidade do exame. Exemplificando: artefatos presentes na amostra podem obscurecer as células e impedir o adequado reconhecimento das anormalidades. Amostras colhidas na presença de inflamação, presença de excesso de sangue, celularidade escassa, mucosa atrófica, e uma série de outros artefatos técnicos podem reduzir a qualidade e consequentemente a sensibilidade do exame. Nestas situações estaríamos detectando menos casos alterados do que o desejado.

A presença de fatores variados capazes de reduzir a sensibilidade do exame exige rigor do laboratório de patologia no sentido de rejeitar amostras problemáticas. Nestas situações a emissão de um laudo como “Insatisfatório” é o correto a ser feito impedindo-se dessa forma que a paciente tenha uma falsa sensação de normalidade. Nestes casos uma nova coleta deve ser feita em cerca de 90 dias.

O momento em que as mulheres devem colher o exame citopatológicocérvico-vaginal também é assunto de grandes discussões. Embora as diretrizes nacionais preconizem coletas entre os 25 e 65 anos, nossa prática demonstra um grande número de lesões uterinas significativas abaixo dos 25 anos e principalmente acima dos 65. Sabe-se que infecções prévias pelo vírus do papiloma humano, início precoce das relações sexuais e tabagismo contribuem para essas situações já não tão excepcionais. Outro ponto sensível é a frequência como que o exame deve ser colhido. Há indicações para coletas anuais, a cada dois anos ou até a cada cinco anos. Cada situação deve ser avaliada pelo médico assistente, mas a bibliografia registra, já de longa data, que três exames negativos, em três anos consecutivos, eleva a sensibilidade do exame para cerca de 90%.

A despeito dos avanços científicos na prevenção do câncer de colo do útero tal como identificação dos fatores de risco altamente significativos ( tipo oncogêncios de HPV) e da recente introdução das vacinas contra o vírus o rastreio pela citologia ainda constitui o meio mais simples , econômico e de possível aplicação para rastreio do câncer do colo uterino em grandes grupos populacionais.


  • CITOPATOLOGIA DO COLO UTERINO

    CITOPATOLOGIA DO COLO UTERINO